
Pois bem, acho que uma ordem começa a se instaurar nesse humilde sítio bipolar, tendo em vista que Júlio, aparentemente mais didático-filosófico que eu, ilustra de forma sucinta o que tange a razão. Eu, por minha vez, e por minha própria natureza, entrego-me a devaneios sem muito propósito. Devaneios que consistem na minha visão de corrida, ou de seus "porquês".
Já que convencionamo-nos a agir dessa forma, aqui vou eu tagarelar; hoje, sobre prêmios.
Na semana passada, correndo em Icaraí, estava pelo 6ºK quando começou a garoa. O ar gelado, o vento crescente e os faróis desfocados me deram aquele empurrão para o que seria meu último quilômetro.
A chuva ganhou força, corri até a barraquinha de coco mais cristã da praia e hidratei-me já ponderando sobre o que fazer. Paguei e pedi um saco plástico para o troco, onde depositei embrulhado meu Ipod.
A chuva já ganhava proporções de dilúvio bíblico quando eu vislumbrei – pausa breve para falar imitando os gestos de um maestro: Dancem macacos, dancem !! *Num tom risonho-doentio-obsessivo* –, quando vislumbrei um comportamento muito peculiar nos dançantes seres humanos:
Corte----
"Como descrito pelos nativos da zona atingida pelo tsunami, dias antes da onda os animais começaram a se comportar de maneira estranha".
Fim do Corte---
Organizando as idéias: A chuva caía e todos corriam para todos os lados até, não mais que de repente, encontrava-me sozinho com a tormenta. Os carros haviam sumido, tudo havia sumido, só as luzes fluorescentes brilhavam embassadas nos postes. Foi quando o fantasma de uma menina passou sorrindo, um sorriso débil, sim..., mas .... andando muito calma, atravessando a chuva (que fazia uma espécie de cortina em torno dela) com dignidade. Na verdade, pensando agora, pela expressão mista de prazer e loucura, a chuva é que a atravessava.
Eu pensei: - Daqui até a casa da minha mãe contornando os bairros, hmm, uns 2K. Com a chuva me empurrando... 10 minutos no máximo.
O resultado dessa equação foi uma corrida alucinada pelo meio urbano que estava vazio, pulando poças e me sentindo como quem foge do apocalipse, ou, como quem foge dA onda.
Admito ter me sentido como o Will Smith em "Eu Sou a Lenda"durante grande parte do trajeto.
Subi os três lances de escada, parei encharcado no corredor e comecei a me alongar um pouco, quando sou coroado com uma sensação absurdamente recompensadora: O suor emergindo debaixo da água gelada. Essas coisas viciam.
- Meu nome é Antonio e eu não corro há um dia.
Coro: - Muito bem, Antonio!
Essas coisas viciam...
Postado por: Unknown às 01:42
Marcadores: filosofia-barata, recompensa
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4 Comments:
- Muito bem, Antônio! (acrescendo ao coro)
Muito bem Antonio (mais um)
Sylvia
Bravo!!! Bravissimo!!!
Telma.
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