A.M. RUNNERS

Carpe noctem

Exposição "FOTO COM CORRIDA"


A partir do dia 10 de setembro, próxima quinta, estaremos inaugurando a Exposição "FOTO COM CORRIDA" com as fotografias dos estudantes do Estúdio Belas Artes, no Galpão das Artes Urbanas, na Gávea (Convite em anexo).
Com curadoria dos professores Cristiano Lopes e Érica Modesto, a exposição reúne as imagens dos estudantes do curso de fotografia produzidas durante a Corrida e Caminhada da Comlurb, mostrando a alegria e o espírito esportivo dos funcionários da empresa que a cada dia deixa o Rio mais bonito.
O Galpão das Artes fica ao lado do planetário e a exposição vai até o dia 02 de outubro.


Meus lugares

por Antonio Prata, Seção: Crônica do Guia 00:23:44.

publicado na revista Runners

Correr faz com que fiquemos íntimos dos lugares. Quando paro o carro no estacionamento do parque Villa-Lobos, por exemplo, fico contente como alguém prestes a reencontrar um amigo. Não há dúvida de que ele não é o melhor parque de São Paulo. Sei que o Ibirapuera, com suas sombras perfumadas de eucalipto e os patos nadando no lago, é muito mais bonito, mas foi em torno dos gramados secos do Villa, pelo caminho torto de concreto que segue entre as árvores mirradas, que comecei a correr. No Villa-Lobos, sinto-me em casa. No Ibirapuera, sou uma visita.

Uma praia pela qual já corri muitas vezes é quase como uma namorada. Conheço detalhes de sua geografia com a palma dos meus pés. Sei que curvas são mais propícias à quais movimentos. Posso enumerar, de cabeça, suas qualidades e defeitos, os horários em que a maré está baixa e dá para percorrê-la calmamente, os momentos em que a maré sobe, a faixa de areia quase some e é preciso correr pela beirada.

A intimidade vem do conhecimento, o conhecimento vem do longo convívio ou da atenção redobrada. No caso dos corredores, acredito, a intimidade é fruto do segundo caso. O pedestre pode caminhar com a cabeça na lua. O corredor, não. O aumento na velocidade exige que estejamos alertas. É preciso desviar de buracos e cocôs de cachorro, afastar-se dos carros, dos ciclistas, driblar pedestres, hidrantes e pipoqueiros. Quando corremos, nossos radares estão sempre ligados, rastreando o entorno, mapeando. Nossa segurança depende desse minucioso estudo da geografia.

Ao contrário do pedestre - esse desatento -, apreendemos ligeiros aclives e declives. Sabemos em que ponto exato começam os paralelepípedos e devemos mudar para a calçada; em frente de quais casas as pedras portuguesas sugerem que corramos pelo meio fio; em que curva da praia a areia dura fica muito inclinada e temos que passar para a fofa, ou ficar naquela faixa estreita, onde vão parar as algas e garrafas pet, cuja densidade perfeita parece ter sido projetada para nossas passadas.

Além da atenção redobrada, acho que há um outro fator responsável pela intimidade entre corredores e lugares. É que, naquele momento delicioso em que pararmos de correr e começarmos a caminhar, quando os batimentos vão se acalmando, o suor vai escorrendo pelas costas e todos os liquidinhos estimulantes produzidos por nosso cérebro vão sendo distribuídos pelo corpo (o salário que recebemos pelo trabalho da corrida), somos tomados por uma espécie de gratidão pelo parque, rua ou praia que nos proporcionou tais sensações. Vez ou outra, quando o fim da corrida coincide com o pôr do sol ou uma brisa gostosa sopra das árvores, dá até vontade de ajoelhar ou fazer algum rito ancestral de louvor à Terra, como os rituais ao sol feitos pelos Incas ou as festas saturnais dos romanos. Seria algo como a “Dança de agradecimento dos 10K, marcha lenta” ou o “Ritual dos 6 K com tiros”. Se alguém achar estranho, eu digo que é uma no-va forma de alongamento, desenvolvida pela NASA, para astronautas vindos do espaço. Ou não digo nada. Aquilo é uma coisa nossa, minha e do parque, da praia ou da rua em que acabei de correr e ninguém tem nada que se meter em nossa intimidade.

Corrida com "obstáculos"

Algo próximo a espetacular, sensacional, incrível. Enjoy!

SAMPARKOUR from Wiland Pinsdorf on Vimeo.

O Muro




Existem atitudes bem estúpidas das quais todos somos capazes. Vejam bem, eu disse "todos" justo por ser da natureza do homem(no geral o ser humano e, e em particular o macho da espécie) viver para se bater em algum nível.

O título desse post deveria ser "Faça o que eu digo, não faça o que faço", tamanha a estupidez primária que acabei de cometer.

Fui correr hoje , depois de quase um mês parado, e para tal planejei uma corrida leve na ida e a volta no trote. Uns 7K, talvez 8 se a coisa fluísse bem.

Ao fim do calçadão, quando deveria volver cometi o erro de pisar fora dos limites do meio-fio, o que me levou a continuar correndo e, levado pela música (Wolf, do Iced Earth) fiz o que qualquer pessoa com o mínimo de sensatez não faria: Acelerei rumo ao mirante.

Subi como minha atual capacidade cardiovascular me permitiu e desci aprumado nos limites da gravidade. Ou seja, correndo como um cão ensandecido. O que elevou meus graus de endorfina aos astros.

Daí veio o ar gelado do oceano e, de repente, todos os meus pensamentos estavam em ordem. Tão em ordem que me pareceu natural olhar para o frequencímetro e constatar que eu estava próximo de 100% da minha capacidade. Até aí, tudo muito bom (para um piloto acostumado a disputar rachas, talvez...), mas esperem, eu posso piorar descer ainda mais. Descer a lenha, descer o pé no acelerador e descer o nível da minha moral/sanidade.

Como eu dizia, constatei que meu frequencímetro marcava 100% do limite e que meus pensamentos (+ a endorfina) mostravam um caminho claro a seguir. O caminho era acelerar ao máximo pelo máximo de tempo. Eu vi o muro e pensei em não desviar. Como o motorista que acelera em direção à árvore.

Eu havia estipulado que correria o mais acelerado que conseguisse por 400 metros. Ao completar 100 senti meu peito leve e gelado. Ao completar 200, acelerando, me sentia como se meu coração fosse parar. Aos 300, minha pressão baixou um pouco(ou pelo menos foi como eu senti) e meu coração parecia simplesmente não se encher totalmente para bombear o sangue. Eu podia enxergá-lo perfeitamente, minúsculo dentro de minha caixa torácica, tão minúsculo e sem fôlego que tive medo.

Ele batia muito rápido sem conseguir encher-se para bombear o sangue. Como uma pessoa que se afoga e engole água salgada ao mesmo tempo em que tosse e por ventura, respira. Nesse ponto, por medo e por senti-lo frouxo dentro do meu peito, eu desviei da árvore.

Até agora estou com as impressões do vento e do frio presas ao meu corpo. Minha cabeça ainda está um pouco dormente, mas - fora as psicológicas -, acho que não carregarei sequelas.

À Sociedade da Performance !

Tempo: 32'23min
Distância: 7K
Média cardíaca: 175
KCAL: 617

Bonitinho e nem tão ordinário

Review do Monitor Cardíaco SE102 Tap on lens - Oregon: Retificação

Há pouco mais de um mês, postava sobre o referido relógio e monitor cardíaco. Justiça seja feita: ele tem se saído melhor do que o esperado. Apesar de continuar não sendo um primor de precisão, descobrimos qual é o problema: corrermos muito próximos um do outro. Isso sujeitava o pequeno aparelho a interferências, deixando ele - e porque não nós - completamente loucos. Mas depois de pegar o jeito, ele funciona bem, diria MUITO bem para o preço pago. Continuo pesquisando frequencímetros e não há nada que tenhas as mesmas funções que não custe pelo menos 3 vezes o que pagamos. Infelizmente a promoção não está mais vigente. Um acerto em cheio para dois corredores iniciantes. R$99 em um belo relógio e razoável monitor cardíaco.

Em termos de custo x benefício, a nota é 10.

Dicas além das usuais para comprar um monitor cardíaco:

1- Se você não tem um relógio de pulso e gostaria de usá-lo no dia-a-dia, tente comprar algo "usável" que não seja do tamanho de um relógio de parede. Sim, estética é um fator relevante na compra.

2- Não compre nada que você tenha medo de usar na rua. Isso vale pra qualquer coisa e com o aparelho não é diferente. Quanto mais discreto e "barato", mais você vai correr relaxado a qualquer horário.

3- Informe-se sobre a assistência técnica do fabricante. Se existe sede no seu estado/cidade e se o nível de satisfação dos clientes é razoável.

4- Deixe como página inicial uma busca de frequencímetros dentro de algum site tipo o buscape. Ative o alerta de preço e acompanhe as ofertas, inclusive por email.

5- Quando aparecer uma oportunidade, abrace sem medo de ser feliz. Deixar para o dia seguinte pode significar perder um grande negócio.

Sobre as questões técnicas do aparelho em si, é só comparar de fabricante para fabricante e ver a satisfação dos usuários. Reviews estrangeiros também são válidos.

Pra quem quer correr legal, melhorar o rendimento e se monitorar, esse acessório é indispensável!



A primeira vez a gente nunca esquece

E não é que é verdade?

Todo clichê traz consigo uma grande e, por vezes, quase absoluta verdade. O clichê é como o esteriótipo: todos odeiam admitir que eles existem. Mas eles não só existem, como são válidos e até mais certeiros - apesar de conceitualmente genéricos - do que alguns gostariam. Fato é que nada disso existe por acaso. Esse é o porquê da escolha do título.

Mas que papo de maluco é esse?

Hoje realizei algo que há 3 meses considerava impossível: terminar 10kms de corrida em bom ritmo e sobreviver para poder contar/escrever depois. Sim, foi hoje esse dia! Não há muito o que contar. Quer dizer, ter até tem. Porém, acho que no momento só quero curtir e dormir ao som de mais uma conquista. Segue a rota realizada em exatos 55 minutos:


Exibir mapa ampliado

Conhece-te a ti mesmo


ou, Conheça seus limites.



Taí, Sócrates não teria como saber que essa - aparentemente - inofensiva frase tornaria-se um jargão filosófico usado a torto e a direito, por todo tipo de pessoa, e em todo tipo de situação. Em todo caso, chega do "todo" e partamos ao específico.

Gosto sempre de reiterar, quando converso sobre correr, que o ato de correr em sua essência, é a parte mais fácil da corrida.

A corrida envolve um monte de coisas, e dessas coisas, vou falar das minhas.
Envolve chegar cansado do trabalho, da faculdade e ter que lavar/pendurar/passar roupa. Elaborar algo para comer, separar e ler os textos pro dia seguinte, enfrentar a chuva, frio, a preguiça e a fome (já que minha digestão é super lenta e para correr preciso ter feito minha última refeição pelo menos 4 horas antes).

Essa limitações e dificuldades a serem transpostas já dizem muito a meu respeito, sobtretudo a mim mesmo, pelo simples fato de eu me conhecer razoavelmente e saber que, preciso seguir determinados rituais e rotinas antes de calçar o tênis e me alongar.

Durante a corrida, acompanhar minhas batidas no frequencímetro e saber que a marcação está errônea, que estou confortavelmente abaixo do meu limite -independente dos números na tela,- é igualmente saber que existe um "meu" limite que não pode ser transposto de qualquer maneira. É preciso paciência(que não passa de controle sobre a própria vontade, ao menos para mim, ao menos nesse caso).

Depois da corrida, mesmo sendo tarde e tendo uma cacetada de coisas para fazer, prioritariamente me alongo e converso com meu camarada e parceiro de blog e corrida, Júlio, por poder compartir visões e constatações sobre aquela corrida, ou a próxima. Ainda após a corrida, por vezes já com a madrugada adiantada esbarramos com uma barraca de água de coco, e a simples visão (claro que uma visão corrompida por excesso de endorfina e bem-estar) da baía durante a reidratação é suficiente para saber um pouco mais sobre eu mesmo. Eu poderia viver com muito pouco, nesses momentos. Essa noção da finitude da sensação de poder e realização é essencial para evitar a frustração e o vazio que elas deixam ao se esvaírem. Um amigo meu me disse certa vez: -Correr é meditação em movimento.
Desde que a corrida, para mim, se tornou necessária, reflito sobre isso. Antes e depois de correr, penso em quando será o próximo "durante", que é quando eu, ao mesmo tempo, estou desligado de mim e conectado ao resto.

-Antonio