Existem atitudes bem estúpidas das quais todos somos capazes. Vejam bem, eu disse "todos" justo por ser da natureza do homem(no geral o ser humano e, e em particular o macho da espécie) viver para se bater em algum nível.
O título desse post deveria ser "Faça o que eu digo, não faça o que faço", tamanha a estupidez primária que acabei de cometer.
Fui correr hoje , depois de quase um mês parado, e para tal planejei uma corrida leve na ida e a volta no trote. Uns 7K, talvez 8 se a coisa fluísse bem.
Ao fim do calçadão, quando deveria volver cometi o erro de pisar fora dos limites do meio-fio, o que me levou a continuar correndo e, levado pela música (Wolf, do Iced Earth) fiz o que qualquer pessoa com o mínimo de sensatez não faria: Acelerei rumo ao mirante.
Subi como minha atual capacidade cardiovascular me permitiu e desci aprumado nos limites da gravidade. Ou seja, correndo como um cão ensandecido. O que elevou meus graus de endorfina aos astros.
Daí veio o ar gelado do oceano e, de repente, todos os meus pensamentos estavam em ordem. Tão em ordem que me pareceu natural olhar para o frequencímetro e constatar que eu estava próximo de 100% da minha capacidade. Até aí, tudo muito bom (para um piloto acostumado a disputar rachas, talvez...), mas esperem, eu posso piorar descer ainda mais. Descer a lenha, descer o pé no acelerador e descer o nível da minha moral/sanidade.
Como eu dizia, constatei que meu frequencímetro marcava 100% do limite e que meus pensamentos (+ a endorfina) mostravam um caminho claro a seguir. O caminho era acelerar ao máximo pelo máximo de tempo. Eu vi o muro e pensei em não desviar. Como o motorista que acelera em direção à árvore.
Eu havia estipulado que correria o mais acelerado que conseguisse por 400 metros. Ao completar 100 senti meu peito leve e gelado. Ao completar 200, acelerando, me sentia como se meu coração fosse parar. Aos 300, minha pressão baixou um pouco(ou pelo menos foi como eu senti) e meu coração parecia simplesmente não se encher totalmente para bombear o sangue. Eu podia enxergá-lo perfeitamente, minúsculo dentro de minha caixa torácica, tão minúsculo e sem fôlego que tive medo.
Ele batia muito rápido sem conseguir encher-se para bombear o sangue. Como uma pessoa que se afoga e engole água salgada ao mesmo tempo em que tosse e por ventura, respira. Nesse ponto, por medo e por senti-lo frouxo dentro do meu peito, eu desviei da árvore.
Até agora estou com as impressões do vento e do frio presas ao meu corpo. Minha cabeça ainda está um pouco dormente, mas - fora as psicológicas -, acho que não carregarei sequelas.
À Sociedade da Performance !
Tempo: 32'23min
Distância: 7K
Média cardíaca: 175
KCAL: 617

4 Comments:
Saúde sempre em primeiro lugar!
Cara, eu gostaria de colocar a saúde em primeiro lugar, mas acabo colocando aquela desgracinha daquele copinho de Nutella. Invejo vocês. Quem sabe quando eu acabar o moderfocker daquela porra que faço lá na FGV. Me recuso a citar a titulação.
Cara, eu gostaria de colocar a saúde em primeiro lugar, mas acabo colocando aquela desgracinha daquele copinho de Nutella.²
Adorei o comentário e creio que infelizmente sou assim também. Mas vamos tentado, vamos tentando hahaha.
Nossa, 175, eu morro O.o
Esse cara sempre me surpreende com sua esperteza! Lê lê!!
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